Taro Yoko, o diretor mais excêntrico do mundo dos games

O mundo dos games é cheio de grandes gênios e figuras de destaque que ajudaram a moldar esse universo que move milhões de fãs. Hideo Kojima, Shinji Mikami, Hironobu Sakaguchi, Rob Pardo e Miyamoto apenas para citar alguns, mas nenhum deles chega a estranheza, e talvez a coragem de dizer o que pensa, que Taro Yoko, o co-criador e diretor do recente NieR: Automata tem.

Taro é conhecido pelo seu gênio, sua excentricidade e seu estilo obscuro de escrever os cenários que dá vida. Ele começou sua carreira como designer de CGI na Bandai Namco Games, apenas um mês depois de se formar na Universidade de Design de Kobe, logo depois ele participou da Sugar & Rocket Inc. uma afiliada já encerrada da Sony. Um ano trabalhanod na Sugar & Rocket ele entrou na também já falida Cavia. E é aí que a vida de Taro começou a mudar.

Na Cavia, ele começou a trabalhar na criação do game Drakengard, mas como o co-produtor do jogo, Takuya Iwasaki, estava ocupado demais com outros projetos para assumir o posto de diretor, Taro Yoko assumiu o lugar vagante. Na função, Taro deu toques e auxílio a sua equipe, ajudando na criação de personagens, script, e a sua especialidade a elaboração dos cenários.

Drakengard foi a sua menina dos olhos por anos, e as suas continuações também, como Drakengard 2 e NieR, que mesmo não sendo continuação de Drakengard 2, Taro continuou considerando o jogo como uma sequência. Mas havia um problema, Taro não estava satisfeito com a quantidade de mudanças que os executivos da Cavia exigiam no projeto, impedindo o seu total potencial. Mas Taro sempre dava um jeito de deixar o seu toque obscuro, crítico e excêntrico da vida.

Quando a Cavia foi absorvida como parte da AQ Interactive, Taro Yoko começou sua carreira independente e como colunista da Famitsu, sendo responsável pela coluna “Círculo de Maus Pensamentos de Taro Yoko”.

Bem, mas o que tem de excêntrico nisso tudo?

Começando pela sua escolha de manter a sua imagem oculta do público, usando uma máscara pra lá de bizarra. O motivo disso é que Taro odeia entrevistas. De acordo com a sua coluna na Famitsu, desenvolvedores não são animadores, não são comentadores, e tudo que possam ter a dizer ou escrever não vai manter a atenção de ninguém, pois tudo será tão chato que poderia matar a todos de tédio, então era necessário algo que mantivesse a atenção dos fãs. Mas não foi sempre que nas entrevistas Taro usou a sua máscara que já é marca registrada, na entrevista a respeito de Drakengard 3, por exemplo, ele usou um fantoche feito de meia.

Para Taro, os fãs de games merecem honestidade e verdade, e por esse motivo ele tende a ser duro com suas opiniões e frases. No recente NieR: Automata ele disse pouco antes do jogo ser lançado que a história era “tudo cocô”, que não tivessem muita expectativa e seria muito do mesmo que já tinham visto e provavelmente não teria uma continuação. Certamente algo que um produtor não falaria do próprio produto.

Assim que Automata foi lançado porém, ele deu uma entrevista para falar sobre o sucesso que pra ele foi inesperado. E em resposta as polêmicas do design de personagens e as coisas que chamaram a atenção e não deviam, Taro disse que o seu próximo jogo teria “homens seminus com olhos vendados”.

Os jogos de Taro refletem a sua personalidade, sempre obscuros e com uma atmosfera perturbadora para quem não esteja acostumado. Personagens quebrados mentalmente, cheios de dilemas e em mundos distópicos e tão quebrados quanto eles próprios. Como por exemplo em Drakengard, onde a protagonista deve lutar e matar com dezenas de inimigos, para ele as ações que levam alguém a matar uma pessoa são insanas e inadmissíveis, então ele criou uma protagonista levemente insana.

Taro gosta de explorar eventos que não deixem claro qual dos lados está certo, pois cada um tem a sua razão para suas ações e então ambos acreditam estar fazendo a coisa certa.

Outra característica de Taro é odiar a ideia de personagens femininas que sejam apenas pares românticos ou fáceis de esquecer, então ele busca sempre mudar e chocar. Zero, por exemplo, a protagonista de Drakengard 3 é uma mulher forte e com um passado difícil, sendo uma ex-prostituta.

Para ele, o atual mercado limita os desenvolvedores a chegar em seu potencial máximo, deixando de lado suas idéias originais para satisfazer tudo que poderia ser mais aceitável e fácil de vender.

Pablo

Fundador, editor, apresentador, idealizador e os olhos oniscientes por trás do Random Geek!

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